domingo, 11 de outubro de 2020

O óleo correto para seu Chevrolet


CHEVROLET
Modelo Ano Motor Viscosidade Classe API Volume (L)
Agile 2011 / - 1.4 5W30 / 10W30 SM / SN 3,5
Astra 2003 / 2010 1.8 / 2.0 5W30 / 10W30 SM / SN 4,5
Captiva 2008 / - 2.4 5W30 / 10W30 SM / SN 5,0
Captiva 2011 / - 3.0 V6 5W30 / 10W30 SM / SN 5,5
Captiva 2008 / 2010 3.6 V6 5W30 / 10W30 SM / SN 6,5
Celta 2005 / - 1.0 / 1.4 5W30 / 10W30 SM / SN 3,5
Classic 2005 / - 1.0 5W30 / 10W30 SM / SN 3,5
Cobalt 2012 / 2016 1.4 / 1.8 5W30 / 10W30 SM / SN 3,5
Cobalt 2017 / - 1.4 / 1.8 0W20 / 5W20 SN 3,5
Corsa 2004 / 2012 1.0 / 1.4 / 1.8 5W30 / 10W30 SM / SN 3,5
Cruze 2012 / 2016 1.8 5W30 / 10W30 SN 4,5
Cruze 2017 / - 1.4 Turbo 5W30 / 10W30 SN 4,5
Equinox 2018 / - 2.0 Turbo 5W30 / 10W30 SN 5,7
Equinox 2020 / - 1.5 Turbo 0W20 / 5W20 SN 4,0
Meriva 2004 / 2012 1.4 / 1.8 5W30 / 10W30 SM / SN 3,5
Montana 2004 / 2014 1.4 / 1.8 5W30 / 10W30 SM / SN 3,5
Montana 2015 / - 1.4 0W20 / 5W20 SN 3,5
Ômega 1992 / 1997 2.0 / 3.0 / 4.1 20W50 SJ / SL / SM 5,5
Ômega 1999 / 2007 3.8 15W40 SL / SM 5,0
Ômega 2008 / 2011 3.6 5W30 / 10W30 SM / SN 6,7
Onix 2013 / 2017 1.0 / 1.4 5W30 / 10W30 SN 3,5
Onix 2018 / 2019 1.0 / 1.4 0W20 / 5W20 SM / SN 3,5
Onix 2020 / - 1.0 0W20 / 5W20 SN 3,75
Onix 2020 / - 1.0 Turbo 5W30 / 10W30 SN 3,75
Onix Sedan 2020 / - 1.0 0W20 / 5W20 SN 3,75
Onix Sedan 2020 / - 1.0 Turbo 5W30 / 10W30 SN 3,75
Prisma 2013 / 2017 1.0 / 1.4 5W30 / 10W30 SN 3,5
Prisma 2018 / 2019 1.0 / 1.4 0W20 / 5W20 SM / SN 3,5
S10 1995 / 2006 2.2 / 2.4 20W50 SJ / SL / SM 4,5
S10 1997 / 2000 4.3 V6 5W30 / 10W30 SJ / SL / SM 4,5
S10 2007 / - 2.4 5W30 / 10W30 SM / SN 4,75
S10 2015 / - 2.5 SIDI 0W20 / 5W20 SN 5,0
Spin 2013 / 2016 1.8 5 marchas 5W30 / 10W30 SM / SN 3,5
Spin 2017 / - 1.8 6 marchas 0W20 / 5W20 SN 3,5
Tracker 2014 / 2016 1.8 5W30 / 10W30 SN 4,8
Tracker 2017 / 2020 1.4 Turbo 5W30 / 10W30 SN 4,0
Tracker 2020 / - 1.0 / 1.2 Turbo N/D N/D N/D
Vectra 2006 / 2011 2.0 / 2.2 / 2.4 5W30 / 10W30 SM / SN 4,5
Zafira 2004 / 2011 2.0 8v 5W30 / 10W30 SM / SN 4,5
Zafira 2001 2.0 16v 15W40 SL / SM / SN 4,5

Tabela de óleo para veículos leves Chevrolet 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021. Em breve disponível para mais anos e modelos

O Óleo correto para seu FIAT

 

FIAT
Modelo Ano Motor Viscosidade Classe API Volume (L)
500 2009 / 2010 1.4 16v 10W40 / 15W40 SM / SN 3,0
500 2011 / 2013 1.4 8v 10W40 / 15W40 SM / SN 3,0
500 2011 / 2013 1.4 16v 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Argo / Cronos 2018 / 2021 1.0 0W20 / 5W20 SN 3,0
Argo / Cronos 2018 / 2021 1.3 0W20 / 5W20 SN 4,0
Argo / Cronos 2018 / 2020 1.8 5W30 / 10W30 SN 5,0
Bravo 2010 / 2013 1.4 16v 10W40 / 15W40 SM / SN 3,5
Bravo 2010 / 2013 1.8 16v 5W30 / 10W30 SM / SN 4,5
Doblò 2005 / 2008 1.3 10W40 / 15W40 SM / SN 3,0
Doblò 2005 / 2008 1.8 10W40 / 15W40 SM / SN 3,5
Doblò 2009 / 2010 1.4 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Doblò 2009 / 2010 1.8 10W40 / 15W40 SM / SN 3,5
Doblò 2011 / 2013 1.4 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Doblò 2011 / 2013 1.0 5W30 / 10W30 SM / SN 4,5
Fiorino 2004 / 2008 1.3 10W40 / 15W40 SM / SN 3,0
Fiorino 2004 / 2008 1.5 10W40 / 15W40 SM / SN 3,5
Fiorino 2009 / 2013 1.3 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Fiorino 2013 / 2015 1.4 10W40 / 15W40 SM / SN 3,0
Fiorino 2016 / - 1.4 5W40 SN 3,0
Freemont 2012 / 2016 2.4 5W30 / 10W30 SM / SN 4,5
Idea 2006 / 2007 1.4 8v 10W40 / 15W40 SM / SN 3,0
Idea 2006 / 2007 1.8 8v 10W40 / 15W40 SM / SN 3,5
Idea 2008 / 2010 1.4 8v 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Idea 2010 1.8 8v 10W40 / 15W40 SM / SN 3,5
Idea 2011 / 2016 1.4 8v 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Idea 2011 / 2016 1.6 / 1.8 16v 5W30 / 10W30 SM / SN 4,5
Marea 1999 / 2007 2.0 10W40 SJ / SL / SM 5,0
Marea 1999 / 2007 2.0 Turbo 15W40 SJ / SL / SM 5,0
Marea 2002 / 2007 2.4 10W40 SL / SM 5,5
Marea 2003 / 2007 1.8 10W40 SJ / SL / SM 4,5
Marea 2006 1.6 10W40 SL / SM 4,2
Mobi 2017 / - 1.0 6v 3cil 0W20 / 5W20 SN 2,5
Mobi 2017 / - 1.0 8v 4cil 5W30 / 10W30 SN 3,0
Fam. Palio - / 2002 Todos 10W40 / 15W40 SJ / SL / SM 3,5
Fam. Palio 2004 / 2010 1.0 / 1.3 / 1.4 10W40 / 15W40 SM / SN 3,0
Fam. Palio 2004 / 2010 1.6 / 1.8 10W40 / 15W40 SM / SN 4,2
Fam. Palio 2009 / 2010 1.8 10W40 / 15W40 SM / SN 4,5
Fam. Palio 2011 / 2016 1.0 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Fam. Palio 2011 / 2016 1.4 10W40 / 15W40 SM / SN 4,0
Fam. Palio 2012 / 2016 1.6 5W30 / 10W30 SM / SN 4,5
Fam. Palio 2016 / - 1.4 5W40 SM / SN 4,0
Punto 2008 / 2010 1.4 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Punto 2008 / 2010 1.8 8v 10W40 / 15W40 SM / SN 4,0
Punto T-Jet 2008 / 2016 1.4 Turbo 10W40 / 15W40 SM / SN 3,5
Punto 2011 / 2017 1.6 / 1.8 16v 5W30 / 10W30 SM / SN 4,5
Punto 2011 / 2012 1.4 8v 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Punto 2013 / 2016 1.4 8v 10W40 / 15W40 SM / SN 3,0
Toro 2016 / 2020 1.8 5W30 / 10W30 SN 4,5
Toro 2016 / 2020 2.4 5W30 / 10W30 SN 4,5
Toro 2016 / 2020 2.0 diesel 5W30 / 10W30 SN 4,5
Uno (Mille) 1992 / 2008 1.0 10W40 / 15W40 SL / SM 3,5
Uno (Mille) 2009 / 2013 1.0 / 1.3 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Uno 2011 / 2020 1.0 5W30 / 10W30 SM / SN 3,0
Uno 2011 / 2020 1.0 5W30 / 10W30 SN 3,0
Uno 2011 / 2020 1.3 / 1.4 5W40 / 10W40 SN 3,0

 Fam. Palio: Palio, Strada, Siena, Grand Siena, Palio Weekend

Tabela de óleo para veículos leves FIAT 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021. Em breve disponível para mais anos e modelos

sábado, 10 de outubro de 2020

Economize com os pneus do carro

É isso mesmo! Vamos falar de economizar com a manutenção do carro, o que não significa deixar de gastar seu dinheiro com ele. Vamos falar sobre todas as coisas que são mitos e verdades e tudo aquilo que você precisa fazer e não precisa fazer.

Vamos deixar de lado a polêmica do "carro é gasto" e vamos focar nas economias que podemos fazer quando não nos deixamos ser enganados por mecânicos oportunistas! Essa é uma tecla que bato bastante aqui no meu blog, pois acredito que não há nada pior do que ser enganado por um mecânico espertalhão.

 Aqui no Blog tenho uma postagem completa sobre pneus com informações completas sobre eles. Mas vamos falar aqui de economizar com os pneus! Em primeiríssimo lugar é importante saber que a composição da borracha é diferente para cada modelo de pneu e muda completamente entre diferentes marcas e dependendo da composição a borracha gasta mais ou não (pois é, são todos igualmente pretos, mas a composição muda drasticamente entre as marcas). 

Tenha consciência de que a montadora levou em consideração na escolha do pneu o índice de carga e o índice de velocidade. Isso sim é muito importante na hora da reposição e jamais deve ser ignorado. É muito comum o mesmo tamanho de pneu oferecer diferentes índices de carga e velocidade diferentes e isso certamente afeta o preço. Pneus com índices mais baixos possuem estruturas mais enxutas (literalmente menos lonas de poliamida e aço e menos borracha) o que tornam os pneus menos resistentes a carga e altas velocidades. 

Escolher um bom pneu não é tarefa fácil. Por anos tentei encontrar alguns parâmetros que pudesse nos ajudar com essa escolha, mas não encontrei nada! Isso porque as marcas utilizam um parâmetro chamado "Treadwear", porém essa escala é válida apenas para comparar pneus de MESMA MARCA. Ou seja, o Treadwear da marca C não pode ser comparado com o Treadwear da marca B. Além dessa informação, existem outras duas: "traction" e "temperature", que também não dizem muito sobre o pneu, uma vez que a classificação "Traction" só leva em consideração o coeficiente de atrito daquele pneu em frenagem sobre asfalto molhado e a classificação de "Temperature" faz sentido apenas em velocidades superiores a 85mph (136km/h). Ou seja, nenhuma das informações que constam no pneu são capazes de nos ajudar a mensurar como será o desempenho do pneu.

Analisar o selo do Inmetro também não nos diz muita coisa, pois os valores mensurados dizem respeito à resistência à rolagem (que afeta o consumo de combustível), ao desempenho de frenagem em piso molhado e ao volume de ruído produzido pelo pneu. São aspectos importantes na escolha dos borrachosos, mas não nos dá nenhuma estimativa da autonomia deles e estou quase certo de que nenhum fabricante irá algum dia divulgar esse dado, pois depende de diversos fatores que elenquei abaixo:

Estado e tipo de pavimento. Ruas esburacadas tendem a ser mais abrasivas ao pneu (é só imaginar uma lixa. aquelas lixas super finas de grão 1500 são muito menos agressivas que aquelas lixas de grão 50). As pancadas frequentes na borracha causam fissuras nos blocos que reduz a resistência à abrasão, além do risco de criar bolhas nos pneus.

O cuidado com a calibragem, balanceamento e alinhamento do pneu são fatores importantes. Se você passar seu dedo sobre uma lixa em linha reta, certamente vai ser menos agressivo que passar o dedo fazendo um zig zag. O balanceamento do pneu evita, exatamente, esse zig zag. Pneus abaixo da calibragem correta gasta mais rapidamente e de forma incorreta. Acima da calibragem correta está mais suscetível a formação de bolhas em pancadas e consumo incorreto da banda de rodagem.

Se você é desses motoristas que adoram "costurar", fazer curvas bem rápido, frear e acelerar forte é hora de se conscientizar de que essa prática acaba rapidamente com os pneus, reduzindo em até 50% a vida útil do pneu!  

Composição da borracha: por mais que o fabricante pese cuidadosamente os componentes da mistura, pode haver desvios no resultado final, o que resultará em diferentes qualidade da borracha, afetando a durabilidade dos pneus mesmo que sejam exatamente do mesmo modelo! O fabricante jura por Deus e de pés juntos na frente da cruz que a qualidade é sempre a mesma, mas convenhamos, 100% de acerto o ano inteiro? Cuidado com pneus de promoção em supermercados.

Basicamente é isso o que tenho a dizer sobre a economia com os pneus. Cuide bem dos redondos!

Como funciona "trocar a marcha no tempo"?

Há muitas explicações em vídeos mas que não deixam claro como tudo funciona. Nessa postagem mostrarei a fundo como funciona a mecânica da troca de marcha no tempo. Primeiro, vamos pensar na situação cotidiana. Toda vez que trocamos a marcha do carro, pisando e soltando a embreagem, o que fazemos na verdade é um "casamento" de velocidades: a velocidade de giro do motor e a velocidade de giro do diferencial. Isso porque o câmbio está ligado ao motor (entrada) e ao diferencial (saída). toda vez que trocamos uma marcha, estamos, na verdade, trocando a relação de transmissão entre o eixo de entrada e de saída. Vamos entender como funciona uma relação de marcha, pois é aí que mora todo o segredo.

O disco maior representa uma engrenagem com 200 dentes enquanto o disco menor representa uma engrenagem de 50 dentes. Nesse momento é importante distinguir a engrenagem motora e a engrenagem movida. A engrenagem motora é aquela que recebe o giro do eixo de entrada (do motor), enquanto a engrenagem movida é aquela que é movida pela rotação da engrenagem motora.

Se colocarmos a entrada na engrenagem de 50 dentes, a engrenagem de 200 dentes realizará apenas 1/4 de volta para cada giro da engrenagem motora, ou seja uma relação 4:1. Se a entrada for de 1000rpm a saída será de 250rpm. Essa configuração tem como característica uma grande quantidade de torque porém com uma pequena velocidade final.

Se colocarmos a entrada na engrenagem maior, a movida passa a ser a engrenagem menor. Cada giro da maior fará a menor girar 4 vezes, configurando uma relação 1:4. Se a entrada é de 1000rpm, a saída será de 4000rpm. 

Essa lógica é aplicada na caixa de câmbio de um carro, sendo que na primeira marcha a engrenagem motora é (muito) menor que a engrenagem movida, enquanto que na quinta marcha, a engrenagem motora é maior que a movida, como podemos ver a seguir.

Vamos para a situação real:

No manual do proprietário normalmente temos as informações da relação de marchas de um carro. No caso do manual da S10 as relações de marcha (da versão manual) é a seguinte:


Trocando em miúdos, cada 4,473 giros do motor resultará em 1 giro no eixo de saída do câmbio.
Sabemos que o eixo de saída do câmbio está ligado ao diferencial, cuja relação é 4,560:1. Ou seja, cada 4,560 giros na entrada do diferencial resultará em 1 giro na saída do diferencial (transmitida aos pneus).

Não falamos do pneu à toa. Todo o sistema de transmissão e medição de velocidade leva em consideração o tamanho do pneu. no caso da S10, o tamanho do pneu é 255 65 R17. Fazendo algumas contas:


concluímos que o perímetro do pneu é de 239cm, ou 2,39m, portanto, cada giro do pneu move o carro 2,39m. (Obs: por esse motivo, colocar um pneu com diâmetro diferente do original gera erro de leitura da velocidade real e da velocidade mostrada no painel.).

Vamos para o que o título se propõe a responder:

Você está em um carro e começa a acelerar na primeira marcha até atingir 20km/h nessa velocidade, os pneus estão girando a:


Essas rotações por minuto do pneu serão importantes para que eu possa calcular a velocidade que o motor está girando em cada marcha. A menos que a velocidade do carro se altere, os pneus sempre vão girar na mesma velocidade angular, independente do regime de rotações do motor. 

Isso significa que o motor está girando a:


Agora vamos trocar para a segunda marcha. Quando utilizamos a embreagem para fazer a sincronia da velocidade das engrenagens o que fazemos na realidade é frear o motor para reduzir as rotações através do disco de embreagem. Quando queremos trocar a marcha "no tempo" é exatamente isso que precisamos fazer: soltar o acelerador, desengatar a marcha e esperar que as rotações caiam até um valor que possibilite o encaixe da marcha seguinte. Na segunda marcha, com o carro se movendo a 20km/h, as rotações do motor devem ser de


pois essa será a rotação do eixo do diferencial. Já com a segunda marcha engatada, aceleramos até 50km/h, o que significa que os pneus agora giram a uma velocidade maior: 


Com o motor em 


O engate da terceira marcha deverá acontecer quando as rotações por minuto do motor caírem para


E assim sucessivamente! Na tabela abaixo temos uma melhor visualização da variação das rotações do motor para diferentes velocidades em diferentes marchas.



Então é isso! Eis o mistério da "troca no tempo"!
Até a próxima!

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Você colocaria "condicionador de metais" no óleo do seu carro?

Essa pergunta foi feita por um amigo meu sobre um produto de venda em varejo oferecido como "Condicionador de metais". Existe no mercado algumas marcas de aditivos com essa finalidade e resolvi investigar um pouco mais a fundo qual é a desse aditivo. Claro que como todo "bom produto", a composição é totalmente obscura, lançando mão de termos genéricos que poucos entendem e pouco diz sobre eles, como "hidrocarbonetos alifáticos", ou ainda mais amplo, "destilados de petróleo". 

Fui investigar de todas as maneiras possíveis e imagináveis os principais componentes dos produtos, mas nem mesmo nas fichas médicas de toxicidade do produto não encontrei nenhuma pista. Há dois motivos para que os fabricantes mantenham tanto segredo: ou a formulação é de fato única (como a receita da Coca Cola) ou não há nada de tão especial assim e eles não querem que você descubra.

Parti para o site para analisar as promessas de cada fabricante e não encontrei nada exatamente diferente do que a função desempenhada pelo óleo lubrificante normal, além da informação "aditivo".

Em vídeos, há uma famosa porém extremamente controversa demonstração da eficácia usando uma máquina Timken (essa demonstração é realmente farsante, pois já foi mostrado que em determinadas situações semelhantes a do teste mostrado, até shampoo age como redutor de atrito tão eficiente quanto o óleo).

Em um dos vídeos de demonstração, o técnico diz que a proteção se dá pela DIFUSÃO do produto na superfície do metal... Opa, essa é minha praia e só posso dizer que esse técnico falou besteira e das grossas. Se ele precisou apelar para difusão é porque todos os outros argumentos foram pro espaço! Ele está falando da difusão de moléculas de hidrocarbonetos (que é o constituinte do condicionador de metais, segundo as fichas técnicas de todos os fabricantes desse tipo de produto) em metais? 

Em metais, só faz sentido falar de difusão na escala atômica, pois há apenas dois mecanismos de difusão conhecidos em metais: o intersticial e a difusão por lacunas. Nenhum desses dois mecanismos abrange a difusão de moléculas tão grandes quanto quaisquer hidrocarbonetos. De fato a difusão pode ser benéfica, mas depende de diversos fatores, como alta temperatura (presente na câmara de combustão) e alta concentração dos elementos a serem difundidos na matriz (o que não ocorre). 

Dada a falta de provas concretas utilizando experimentos confiáveis para a confirmação dos benefícios do tal aditivo, não adiciono e muito menos recomendaria o uso.

Troquei o combustível e o carro não liga mais.

Nos carros mais modernos, esse é um problema praticamente sanado. Mas em modelos mais antigos ou alguns importados que foram transformados em Flex ainda pode ser uma realidade. Então, vamos entender o que acontece para que possamos entender o que fazer.

Quando trocamos o combustível, de etanol para gasolina ou vice e versa, corremos o risco de "afogar" o carro se o sistema não reconhecer o novo combustível a tempo, antes de desligar o motor e ele esfriar completamente, especialmente se for do Etanol para Gasolina. É por isso que no manual do proprietário existe a recomendação de andar com o carro por pelo menos 10 minutos depois de trocar o combustível: esse é o tempo suficiente para que todo o combustível que está nas tubulações seja consumido e o carro passe a funcionar com o novo combustível.

Porque o carro para de funcionar? Quando abastecido com etanol, naturalmente o carro injeta mais combustível na câmara de combustão, respeitando uma proporção de 9 partes de ar para 1 de álcool enquanto que na gasolina essa proporção é de 14 partes de ar para 1 de combustível, para suprir a diferença de mistura com o ar do etanol em relação à gasolina (por isso quando abastecido com álcool o carro consome mais) e diversos parâmetros são utilizados para determinar que tipo de combustível o carro está utilizando, desde sensores no tanque de combustível até a leitura do sensor lambda.

Se o carro não fizer essa comutação do combustível no sistema de injeção, durante a partida a frio no dia seguinte, ele injetará 9 partes de ar para 1 de gasolina, o que torna a mistura demasiadamente rica para que ocorra a explosão. Como resultado, temos o afogamento do motor, que podemos identificar pelo forte cheiro de gasolina saindo pelo escapamento. 

O carro afogou, o que devo fazer?

Há dois métodos para resolver esse problema. O primeiro é encontrar o fusível do circuito da injeção eletrônica ou da bomba de combustível e removê-lo. O segundo é desligar a alimentação elétrica da bomba de combustível. Francamente, o primeiro método é o mais fácil, mas para isso é preciso recorrer ao manual de instruções para identificar o fusível correto.

Em seguida, é hora de dar partida no veículo. A movimentação dos pistões e válvulas fará o combustível evaporar e ser expelido sem que mais combustível entre na câmara de combustão. Em determinado momento, a mistura ar-combustível será adequada para a explosão, assim, possivelmente o carro funcionará por alguns segundos, morrendo em seguida.

Reconecte o fusível ou os terminais da bomba de combustível (depende qual método foi mais fácil) e dê partida no veículo normalmente.




segunda-feira, 20 de julho de 2020

Porque você jamais deve cortar as molas do seu carro?

Rebaixar o carro é muito atraente para algumas pessoas. Como tudo há o jeito certo e o jeito errado de fazer isso. Vou abordar aqui apenas o jeito errado e as péssimas consequências para a dinâmica do carro, pois não quero me responsabilizar de "receitar" qualquer coisa para as pessoas. Cada um que se responsabilize por suas aventuras.

Há pelo menos três jeitos errados de fazer esse tipo de modificação no carro:
1. esquentar a mola
2. grampear a mola
3. cortar a mola

O primeiro da lista é completamente errado, pois, ao aquecer a mola e torná-la mais "mole" você também faz o favor de destemperar o metal e acabar com o efeito mola. Alguns podem falar: "Ah, então é só jogar na água quando a mola ainda estiver quente para temperar ela de novo" e eu responderei: isso é só metade do processo. Depois de temperar o aço, é necessário mantê-lo por horas em um forno em temperatura elevada para o recozimento da têmpera e isso também afetaria a têmpera da porção da mola que não foi deformada pelo aquecimento na oficina. Sem esse recozimento, a mola apresentará grande fragilidade, não correspondendo a um ciclo de fadiga desejável para uma mola. Portanto, esqueça esse método.

O segundo método é grampear a mola colocando abraçadeiras, que também é uma prática abominável, do ponto de vista da segurança, pelo simples fato que o grampo pode quebrar no meio de uma curva, atravessar a lataria e invadir a cabine ou voar em algum infortunado pedestre, além disso, grampear a mola produz um efeito parecido com o terceiro erro que apresento a seguir, pois desativa alguns elos da mola.

O terceiro método é cortar a mola. Cortar a mola não altera a têmpera, não tem nada que pode escapar e te acertar como um projétil, então qual o risco? Para entender o risco de cortar a mola, precisamos voltar ao ensino médio, quando o professor de física tentava ensinar a Lei de Hooke. F = k.x (Força elástica = constante elástica da mola multiplicada pela deformação da mola).

Vamos supor agora um carro de 1500kg equipado com 4 molas de 10 elos cada uma com 30cm (0,3m) de comprimento. Vamos assumir que cada mola recebe 1/4 do peso do carro (375kg) e que esse peso produz uma compressão de 10 cm (0,1m) na mola e o carro fica a 20cm do chão. Pela Lei de Hooke, temos que a constante elástica da mola será de 3750kg/m (ou seja, uma força de 3750kg produziria uma deformação de 1m)

E o que aconteceria se cortássemos 5 elos da mola? Devido a constante elástica da mola, que permaneceu constante, a mola se deformará os mesmos 10cm. A mola, que agora tem apenas 15cm, ficará comprimida até atingir 5cm. O carro ficará a 5cm do chão. Legal? O problema é o que acontece depois disso. Vamos analisar:

A mola, que inicialmente possuía 10 elos, agora tem apenas 5. A força devido ao peso próprio do veículo continua sendo o mesmo, então, o esforço que antes de dividia pelos 10 elos da mola agora se divide em apenas 5. A mola deformou os mesmos 10 cm, mas para cada elo, a deformação foi o dobro. E qual o problema disso?

A mola original foi projetada com aquela constante elástica, para aquela quantidade de elos da mola, para aquele diâmetro externo da mola e para aquele diâmetro de aço mola. Quando você corta a mola, no nosso caso, pela metade, houve uma grande alteração na dinâmica da suspensão. Se o carro quando fazia uma curva abaixava 3cm de um lado, nessa mesma curva, com a mola cortada, o carro abaixaria 6cm. Claro que ele não vai abaixar tudo isso porque antes vai chegar no fim do curso do amortecedor e aí mora a segunda parte de todo o problema: o carro se tornará uma peça rígida e isso fatalmente vai tirar as rodas do lado oposto do chão, aumentando o risco de capotamento.

Um segundo problema é causado pelo aumento na tensão de cisalhamento da seção transversal da mola. Como a mola com menos elos passa a deformar o dobro por elo, a força elástica suportada por cada elo dobra. A tensão de cisalhamento é diretamente proporcional à força aplicada, logo, a tensão sobre a mola é dobrada. É como se você tivesse dobrado o peso do carro sobre as molas originais. Considerando que o peso de carga projetado para a suspensão de um carro é de aproximadamente 350kg, podemos ver que dobrar a carga sobre as molas nunca é uma boa ideia.